quinta-feira, 19 de maio de 2011

Como quem canta.

Como quem tem medo da chuva
Soluça seu coração
Se junta na dança
Veste sua luva
Não dança!

Como quem chora
Implora perdão
Não dorme, nem descansa
Veste seu terno
Não ama!

Como quem olha
Debruça seus olhos
Duvida da vista
Ninguém sobra na pista
Procura seu par.

Como quem samba
Duvida da dança
Em um pequeno salão
Uns pares opostos
Vive a vagar e devagar
Dança!

Como quem ama
Não força a dança
Da a mão, recebe um não
Vive a sonhar
Mas ama!

Por: Rossano Coutelo.

quarta-feira, 11 de maio de 2011


Nem sempre só.

Mas o pior não é se entrevar
jogado no ar,
o pior é se deixar levar.

Mas o pior não é se prender em um nó
virando cinzas, virando pó,
o pior é ser sempre tão só.

Mas o pior não é ser infeliz
e por um triz,
o pior é quando a gente nem diz.

Nem ser teoria nem ironia,
ser poesia e fantasia.
Nem ser concreto, nem sempre certo,
ser aberto, ser liberto.

Por: Rossano Coutelo.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Não era nada de sonho.

De noite raiava o sol
De dia a luz se escondia
Passarinhos nos ares latindo
Na terra eu te queria
O peixe no chão dormindo
O teu amor que eu não via.

Com tantos sonhos rolando
As vezes eu me perdia
Com tantos sonhos brotando
As vezes tinha euforia.

E como um sonho ao avesso
Pensava eu que dormia
Da lua alguém me dizia
Que todo sonho tem preço
Eu quero a minha alforria.

Mas como diz o começo
Aquele sonho ao contrário
Que eu sonhava morria
De dia o sol na cabeça
A noite o sol já jazia.

Não era sonho nem nada
Mas vejam que agonia
Aquelas coisas estranhas
Era o amor que em mim se fazia.

Por: Rossano Coutelo.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Quero dizer.

Há nesses dias a saudade.
Sei que você me permite falar que a saudade é de dizer.
E insisto em não me calar.

Ao som da música e pingos
Ao som do sopro e do silêncio
Vem que eu insisto em dizer.

E não adianta se ausentar   
Vou fazer o que é não é proibido
Arrancar o que já não é mais vontade, mas desejo.

Repito, por isso, o que disse aos dias.
Transgrido o nosso acordo secreto
E exponho o que já não é mais discreto.

Faz tempo que não falamos.
Existem horas que não brincamos.
Os dias andam em silêncio.

Parece-me que você esqueceu
Mas sou breve em dizer e bem frisar
Não esqueça meu bem, o nosso amor não é isso.


Por: Wandoberto Silva.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Evolução?

Somos teoricamente mais evoluídos
temos nossos próprios signos
estudamos os anfíbios
em sentimentos somos peregrinos.

Viajamos a lua todos os dias
sofremos de estresse, estafa e bulimia

vivemos vivendo de mais-valia
pagamos milhões por terapias.

Temos um santo para cada dia
vendemos o céu com maestria
matamos irmãos, sobrinhos e tias
dos animais somos os únicos com homofobia.

Que evolução é essa meu Deus?
as pessoas só se preocupam com os seus
são tantos pseudo-ateus
quero ver na hora do derradeiro adeus!

Por: Rossano Coutelo.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Ange sans amour.

Eu que via em ti tantos motivos,
que vias em mim todo castigo
eu ia mandar a solidão
para o outro lado da contramão.
 

Eu pensava tanto, duvidava tanto,
tu não vias quanto era meu pranto
eu ia mudar de opinião
 
o tempo era a única questão.
 

Eu que era assim tão desamor,
vias em mim tanto pavor
era só me questionar
iria correndo te amar.
 

Eu buscava ter, sem perceber
quando perdi, que pude ver
se defendias como podias
e do todo fiquei sem nenhuma fatia.


Por: Rossano Coutelo.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Hipermetropia Sentimental

Amo-te com os olhos.

Você invade minha retina
empurrando sentimentos através
da minha íris.
Que, as vezes, escorrem úmidos e tímidos pelo meu rosto.

Dói não tê-la perto de mim.

Pois eu tenho hipermetropia,
não enxergo teu amor de perto.

Por: Círero Augusto.