quinta-feira, 21 de julho de 2011

Elogio ao concreto.

Eu troco toda minha poesia
pela plenitude.
Troco todo lirismo  
pela concretude.
Troco o amor
pela razão
e de antemão
posso compreender
a complexidade existente
diante da mais pura raiz
enraizada no chão.

Eu troco as noites de luar
pela terra seca e pelo mar.
Troco a poesia descabida
por aquela que corta a carne
corta os olhos, corta a vida.
Troco o coração pela pedra
e o aperto de mão
pela reprodução
por si só.

Eu troco o frio na barriga
pela dor de cabeça,
e por mais estranho que pareça
troco a vida pela morte
não que a vida não me importe
mas só quero dela o que vem da natureza
e toda aquela beleza, eu não quero.

Por: Rossano Coutelo.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Verdades ao avesso.

Pois é, fica o redito e o não dito
e é melhor ser alegre que bonito
pois na vida tudo se perde de antemão.
Tudo muda na vida meu irmão
o samba talvez nem mude tanto
vai perdendo a cor e  a razão.

Pois é, os insanos não sabem ouvir música
e parados esperam a hipotenusa
chegar com a rima e a canção.
Pois todo poder requer conhecimento
toda mulher procura um casamento
essa é a lógica da paixão.

Pois é, se equilibrar é perder o equilíbrio
volto a dizer o que não foi dito
essa é a mágica da intenção.
Pois sem história não haveria pecado
olhe bem para quem está ao seu lado,
a inveja é a maior admiração.

Por: Rossano Coutelo.

quinta-feira, 30 de junho de 2011


Pobre Raimundo.

Acima, distante do mundo
Do lado oposto do universo
A vida do pobre Raimundo
Só anda através do inverso.

Nem os loucos entendem Raimundo
E dentro do mundo que cria
Os tiranos governam com harmonia.

Nem os puros entendem Raimundo
No fundo ele também é puro
Às vezes se mostra inseguro.

Dentro do sonho de Raimundo
O primeiro vira segundo
O trabalhador vira vagabundo.

O maior mistério de Raimundo
É profundo é profano.
É do céu é subumano.

Talvez Raimundo seja nenhum
dentro do mar e da terra
talvez seja mais de um
dentro dessa enorme guerra.

 Por: Rossano Coutelo.

quinta-feira, 16 de junho de 2011


Próprio tempo.

Quem me dera ser natureza,
Ser infinitude, imensidão,
Ser a própria história, meta-história não!
Ser o céu jogado ao léu.

Quem me dera ser pós
E não levar o algoz da modernidade.
Ser ao mesmo tempo;
Tempo e contratempo.
Ser um todo e compor,
Ser galho, rama e flor.

Quem dera ser mar
Para me estender por continentes.
Ser eternidade eternamente.
Quem dera ser a própria vida
Pois só assim, poderia escolher,
A triste hora da partida.


 Por: Rossano Coutelo.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

A dor da dança.

A dor da dança é física
a dor da dança é corpo
é vivo, é morto
é dança.

Por: Rossano Coutelo

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Você não é Clarice?

Que mistério é esse?
Que inventas para mim?
Nem Clarice você é
Trate de dar um fim.

Como sabes que ela não me ama?
Se você não sabe amar?
Vai querer agora me provar
Que Clarice não existe,
Onde queres parar?

Deixe de prosa, de meninice
Você não é Clarisse
Para roubar meu coração.
Deixe agora de sandice
Nem parece com Clarice
Para dizer tanto não.

Só vi Clarice uma vez
Bem ao longe no escuro
Mas deu para ver com nitidez
Que ela me amava, contudo.


Por: Rossano Coutelo.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Como quem canta.

Como quem tem medo da chuva
Soluça seu coração
Se junta na dança
Veste sua luva
Não dança!

Como quem chora
Implora perdão
Não dorme, nem descansa
Veste seu terno
Não ama!

Como quem olha
Debruça seus olhos
Duvida da vista
Ninguém sobra na pista
Procura seu par.

Como quem samba
Duvida da dança
Em um pequeno salão
Uns pares opostos
Vive a vagar e devagar
Dança!

Como quem ama
Não força a dança
Da a mão, recebe um não
Vive a sonhar
Mas ama!

Por: Rossano Coutelo.