quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Brasil: morbidade geográfica

Tem certas coisas no meu país
Que me fazem vomitar
Um vômito sombrio
Como uma regurgitação
Daquilo que os meus olhos se alimentam.

Indicam-me um remédio
E, subitamente, tudo volta ao normal
Tudo bonito e agradável, como parece
Até o ponto de o seu efeito passar
Sempre sinto isso
E não sei o porquê.

As doses sempre aumentam
Como um mecanismo de compensação da gravidade do problema
Mas eu nunca procuro a solução para isto
Na verdade, eu acho que o problema está em mim.

Na verdade, eu acho que o problema sou eu
E a solução também.

Por: Rafael Urquisa.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Exemplo de não amor.

Talvez haja entro nós um amor perfeito
por algum motivo, sem defeito.
É complexo crer nisso,
por isso eu venho lhe dizer:

Sem nenhum segredo instigante.
Sem nenhuma promessa ofegante,
tão simples. Isso foi apenas uma construção
perfeitamente elaborada que eu fiz de você.

Talvez haja entre nós um amor bandido
daqueles que fazem estudos
e teimam em chamar de perdido.

Talvez haja entre nós um amor pequeno,
que não transborda emoções por ai
nem seja exemplo de amor amante.

Talvez nem seja tão perfeito,
mas é tão bom de um jeito
que dispensa rodeios.

Por: Rossano Coutelo.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011


 Contato com a Carne.

Da carne pura e rompida,
nasce fatídica a prosa in Natura.
Transtorno mundano sem aparência,
a carne demonstra-se como símbolo da consciência.
Aborda a intransigência da prova irrefutável,
contando histórias tolas sobre algo dito inviolável.

O destino é inegável, a quebra se torna assimétrica,
e ao desejo penetrante somam-se:
falanges, espadas cortantes,
que levam ao niilismo descabido.
Homens de ferro feitos de carne,
a mente muda sem você ter percebido.


Por: Rossano Coutelo.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Elogio ao concreto.

Eu troco toda minha poesia
pela plenitude.
Troco todo lirismo  
pela concretude.
Troco o amor
pela razão
e de antemão
posso compreender
a complexidade existente
diante da mais pura raiz
enraizada no chão.

Eu troco as noites de luar
pela terra seca e pelo mar.
Troco a poesia descabida
por aquela que corta a carne
corta os olhos, corta a vida.
Troco o coração pela pedra
e o aperto de mão
pela reprodução
por si só.

Eu troco o frio na barriga
pela dor de cabeça,
e por mais estranho que pareça
troco a vida pela morte
não que a vida não me importe
mas só quero dela o que vem da natureza
e toda aquela beleza, eu não quero.

Por: Rossano Coutelo.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Verdades ao avesso.

Pois é, fica o redito e o não dito
e é melhor ser alegre que bonito
pois na vida tudo se perde de antemão.
Tudo muda na vida meu irmão
o samba talvez nem mude tanto
vai perdendo a cor e  a razão.

Pois é, os insanos não sabem ouvir música
e parados esperam a hipotenusa
chegar com a rima e a canção.
Pois todo poder requer conhecimento
toda mulher procura um casamento
essa é a lógica da paixão.

Pois é, se equilibrar é perder o equilíbrio
volto a dizer o que não foi dito
essa é a mágica da intenção.
Pois sem história não haveria pecado
olhe bem para quem está ao seu lado,
a inveja é a maior admiração.

Por: Rossano Coutelo.

quinta-feira, 30 de junho de 2011


Pobre Raimundo.

Acima, distante do mundo
Do lado oposto do universo
A vida do pobre Raimundo
Só anda através do inverso.

Nem os loucos entendem Raimundo
E dentro do mundo que cria
Os tiranos governam com harmonia.

Nem os puros entendem Raimundo
No fundo ele também é puro
Às vezes se mostra inseguro.

Dentro do sonho de Raimundo
O primeiro vira segundo
O trabalhador vira vagabundo.

O maior mistério de Raimundo
É profundo é profano.
É do céu é subumano.

Talvez Raimundo seja nenhum
dentro do mar e da terra
talvez seja mais de um
dentro dessa enorme guerra.

 Por: Rossano Coutelo.

quinta-feira, 16 de junho de 2011


Próprio tempo.

Quem me dera ser natureza,
Ser infinitude, imensidão,
Ser a própria história, meta-história não!
Ser o céu jogado ao léu.

Quem me dera ser pós
E não levar o algoz da modernidade.
Ser ao mesmo tempo;
Tempo e contratempo.
Ser um todo e compor,
Ser galho, rama e flor.

Quem dera ser mar
Para me estender por continentes.
Ser eternidade eternamente.
Quem dera ser a própria vida
Pois só assim, poderia escolher,
A triste hora da partida.


 Por: Rossano Coutelo.