quarta-feira, 28 de outubro de 2009

O produto,

Aquele corresponde ao que se pede,
Mas pede-se tão pouco,
A capacidade é vista de longe, os defeitos, nem tanto,
-Forte, capaz, saudável-,
Indefeso, persuadido, humilhado,
-Não há de encontrar melhor! Com esse preço não!-
Nem pensou muito, olhou uma vez e meia,
-Esperava melhor, não fazem como antes-,
Pagou uns tostões de alguma coisa,
Pensou em olhar mais uma vez...
Sem relutar! Mandou embrulhar.
A triste saga não começa agora, é o meio do fim,
-O produto é bom, tem até garantia-,
Não se olha mais a cor da embalagem, branco, negro, amarelo,
Mudanças acontecem, nem sempre positivas,
Que liberdade é essa? Tens liberdade?
A senzala do latifúndio fica logo ali,
Vendem-se tudo, do escasso petróleo ao escasso ozônio,
-Produto como esse não se encontra nessas bandas-,
Um dia nunca mais vamos encontrar,
E não falo de muito tempo atrás,
Falo de uns dias para cá.


Rossano Coutelo.

Um comentário:

  1. Na intenção de divulgar o meu trabalho, cheguei até aqui. Muito bom o seu espaço, gostei bastante. Certamente voltarei mais vezes. Aproveito para convidar a conhecer FOI DESSE JEITO QUE EU OUVI DIZER...em http://www.silnunesprof.blogspot.com
    Se você gosta de histórias, garanto que vai gostar.
    Saudações Florestais !

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